ESPECIAL: A geração canguru é da “cama, mesa e roupa lavada”.

É um fenômeno que inclui os jovens adultos que vão adiando a saída de casa dos pais até cada vez mais tarde. Seja porque estão cômodos e não veem desvantagens, seja porque são trabalhadores precários ou não encontram trabalho. Com a crise, a “geração canguru” chegou para ficar. É são muitos mesmo. Mais de 25% dos adultos brasileiros entre 25 a 34 anos ainda moram com os pais, segundo pesquisa realizada pelo IBGE. Muitos deles com a situação financeira favorável. Não são raros também adultos um pouco abaixo ou muito acima desta faixa etária citada que continuam a residir sob o teto paterno.
Há quem encare morar com os pais como algo transitório, apesar da acomodação ser uma forte tentação. Já enquanto outros correm de acomodar-se, pois acham que isso impede sua evolução. Motivos e o que não faltam para os jovens se arrastarem pela casa paterna até aos 30 anos ou mais. Pelas facilidades financeiras, sem duvida. Sem arcar com as despesas de um lar, sobra mais dinheiro para investir no que acha melhor. É também por causa da garantia de casa limpa, roupa lavada, comida pronta, sentimento de proteção, medo de assumir responsabilidade, ou talvez até imaturidade.
Aos vinte e poucos anos, Vânia Costa Leite, é advogada em Itararé, São Paulo. Já se sustenta, mas não vê o fato de ainda morar com os pais como algo ruim: “Uma das vantagens de se morar com os pais é a comodidade e a economia. Não ter que se preocupar com os afazeres do dia a dia e ainda que haja uma contribuição com as despesas do mês, fica muito mais barato do que arcar com todos os custos de uma casa sozinha. E o contra, no meu caso, talvez seja a falta de autonomia e liberdade em algumas situações, mas nada que me incomode muito não”.
Felipe Lima Gaspar, 27 anos, é microempresário em Ponta Grossa, já se sustenta, mas não vê o fato de ainda morar com os pais como algo ruim: “Ficar próximo à família e estar presente no seio familiar, são as principais vantagens. E como jovem, o contra seria a falta de liberdade. Mais considero ótimo. Contribuo em casa, mas o custo e a comodidade valem a pena”.
O funcionário público estadual, Marcos Roberto Viana, 37 anos, residente em Ventania, interior do Estado, relata que “tinha 24 anos, quando seu pai faleceu, devido a esse fato acabou tomando-se a referencia de chefe da família. Atualmente mora com uma irmã, dois sobrinhos pequenos e com avó paterna. As vantagens de se morar com os pais ou parentes é que você acaba por estar sempre próximo das pessoas que lhe são importantes e tem um maior cuidado com o seu bem estar. Você em geral não precisa se preocupar tanto com sua alimentação, cuidado com a casa e roupas, pois geralmente essas tarefas acabam sendo feitas por sua mãe ou outra pessoa que resida junto. Isso traz uma sensação de segurança e estabilidade. Tudo se torna muito cômodo. O lado ruim de morar com a família, é que a gente acaba por se tornar muito dependente dos outros para varias coisas que nós mesmo poderíamos fazer. Isso pode ser prejudicial no momento em que for necessário sair de casa e ir morar sozinho. Algumas pessoas sentem, depois maiores dificuldade de direcionar suas vidas, de serem mais independentes, inclusive afetivamente ou emocionalmente”. E ressalva que “os dois estilos possuem vantagens e desvantagens cabendo a cada um decidir o que acha melhor para sua vida”.
Para alguns jovens continua a morar com os pais nem sempre é positivo. Os pais também têm dificuldade de deixar o filho “sair do ninho”. A psicóloga Gisele Ferreira, esclarece os prós e contras de morar com os pais depois de adulto: “de bom, os filhos podem investir mais em educação e formação profissional, mas correm o risco de se fixar em numa “eterna adolescência”, que trava o desenvolvimento natural”.
No ultimo levantamento feito pelo IBGE mostra, que entre os jovens de 25 a 34 anos, 25% desses, um em cada quatro, ainda residem com os pais. “Esses cangurus, eles estão mais presentes nas regiões metropolitanas. Postergar essa saída de casa é uma vantagem pra quem pode: se qualificar mais, acumular mais recursos pra poder comprar um apartamento, comprar móveis de melhor qualidade, comprar um carro.”, disse André Simões, gerente de Indicadores Sociais do IBGE.
A tendência mundial é que os filhos saiam cada vez mais cedo da casa dos pais. É muito comum nos países da Europa, EUA e no Canadá o aluno se formar no Ensino Médio e sair da própria cidade para fazer a faculdade. No sistema de valores e a educação nestes países valorizam a independência desde cedo. Por exemplo, no Reino Unido, as famílias com recursos mandam seus filhos de 11 anos para escolas internas exclusivas. É o modelo apresentado na série de livro e filmes do bruxinho famoso Harry Potter. Outras diferenças nestes países é que, culturalmente, as moças não saem de casa apenas quando casam, o que é comum no Brasil. As jovens moram sozinhas ou dividem imóvel com amigos mesmo depois de formadas na faculdade. O casamento não é o passaporte para finalmente morar longe dos pais.
A pesquisa do IBGE indica alguns motivos como: a incerteza com o mercado de trabalho, investimento na formação acadêmcia e o alto custo para se viver nas grandes cidades brasileiras. Será que o estilo de vida canguru se tornará uma cultura permanente? E até que ponto os pais, cada vez mais idosos, estãrao firmes no mercado de trabalho para poder manter em casa este jovem dependente? 


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